quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A ilusão da monogamia como relação natural

Por Jelsimar Pimentel
Há muito tempo passo a questionar as nossas estruturas sociais e a forma como fincamos o padrão de normalidade da sociedade. Normal vem de norma, algo que está dentro da normatividade, dentro das regras. O normal hoje na nossa sociedade ocidental é constituir uma família monogâmica e ter filhos. Mas nem sempre foi assim. A história da humanidade passou por muitas adequações ao longo do tempo. Muitas delas impostas para satisfazer contextos econômicos dominantes tornando-se assim cultural, com a ajuda também da religião cristã. A monogamia foi imposta para que houvessem concentração de riquezas e para que não fossem pulverizadas na herança, passando sempre de forma concentrada para os filhos. Hoje foi naturalizada de tal forma, que a maioria da população ocidental não consegue conceber outra forma de relacionamento que não seja entre um homem e uma mulher constituindo família.

No entanto, essa forma não é naturalizada em todas as civilizações. A maioria delas, como mostram algumas pesquisas, concebem outras formas de relações não-monogâmicas e na sociedade ocidental existem relatos de pessoas que vivem relações assim e vem crescendo muito. A sociedade progride e as estruturas dominantes vão se desmoronando. Essas estruturas são eivadas, em nossa sociedade, de dominação patriarcal, que sempre condenou muito mais as mulheres como adúlteras, não atingindo totalmente os homens.

O que sustenta uma relação monogâmica nos dias de hoje são, além da questão histórica citada anteriormente, a insegurança e a possessividade, mesmo que isso reprima nossos instintos e desejos. Ter a preocupação de perder uma pessoa, apenas porque ela se relacionou com outras pessoas existe apenas pelo sentimento de posse que se cria com o outro, negando os próprios desejos e o do outro, criando muitas vezes uma relação bem propícia para a falsidade, a mentira e consequentemente a traição. Mas porquê uma pessoa não pode amar e sentir tesão por outras pessoas ou mesmo amar mais de uma pessoa? Não precisa haver prejuízo da relação. E quando falo isso, não me refiro a apenas um relacionamento solteiro de apenas transar (também totalmente legítima), mas de sentimento, amor e carinho e que precisa ser mútuo, nunca egoísta, tendo a preocupação com quem se relaciona.

Hoje, com uma certa experiência, onde já vivi relações monogâmicas e fui fiel, me considero não-monogâmico. Já amei apenas uma mulher e desejei outras e já amei mais que uma mulher e sempre com a cumplicidade, muito importante dentro de uma relação. Não condeno as relações monogâmicas e acho legítimo quem opta por isso, mas é preciso desmascarar todo essa repressão a relações não-monogâmicas, que aqui se compreende amor livre, relacionamentos abertos ou poliamor. Esse é apenas um singelo texto pra aguçar a curiosidade e daí buscar aprofundar o conhecimento sobre o tema. Amar uma pessoa é deixa-la em liberdade para poder amar mais. Como diz Raul, "não se pode privar alguém daquilo que se deseja. Sem determinar prazos e sem exclusivismos e podendo proporcionar a mesma felicidade do amor com liberdade". E, como diz um amigo meu, "nossa sociedade ainda vai evoluir para essa forma de relacionamento não-monogâmico, quebrando as estruturas arcaicas da nossa sociedade". 

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