Por Jelsimar Pimentel
Começa a dança das cadeiras para o próximo
período que segue na nossa política. Nesse jogo do entre e sai, do vai e vem, do surgimento de um partido novo,
percebemos interesses escusos na política brasileira. Um ar de oportunismo
paira no ar ou será que pode haver mudanças tão bruscas na ideologia política
de cada indivíduo, ou se torna individualizada?
É importante desenvolver um olhar de fora
do contexto para se ter a percepção do todo, como costuma fazer os
historiadores ao analisarem um período fora do seu. Mas como analisar tais
desenvolvimentos da política brasileira estando tão submerso e envolvido e
sendo bombardeado a todo instante com tantas informações massificadas sobre a
política atual?
Diante dessa estrutura, recai sobre o país
uma crise internacional do sistema capitalista, afetando o país e sendo
agravada por meios de comunicação causando instabilidade nacional e afetando a
política brasileira. Ora, nada mais sugestivo para as forças conservadoras para
enfraquecerem o país e tomarem novamente o poder.
No entanto precisamos analisar a quadra
política atual, onde é possível fazer algumas críticas, como a taxação do país
hoje, onde deveriam ser taxadas às instituições financeiras e as grandes
fortunas, numa política de juros progressiva que isente o trabalhador de pagar
pela crise. Mas como a oposição pode desafiar um governo, que mesmo em crise,
consegue ter os índices melhores que o que ela enfrentou nos seus últimos anos
de administração nacional?
O caminhar e desenvolvimento da oposição e
sua reestruturação, usando de aparelhos ideológicos de manutenção da ordem
dominante, para disseminar suas ideias de forma ora sutil, ora explícita para
formação de um pensamento uníssono contemplando assim seu fortalecimento, é
claro. Obviamente que o principal desses aparelhos ideológicos são os grandes
meios de comunicação de massa que chegam a milhões de brasileiros prometendo a
verdade, nada mais que a verdade, em grandes conglomerados ligados ao capital
especulativo.
Dessa forma, percebe-se o que a deputada e
presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, quisera dizer quando fala
"que ganhamos o governo, mas não o poder". Observa-se assim como
ainda estão entranhadas nos poderes da República as forças conservadoras que
compõem estruturas e posições em diversos setores do país, influenciando
politicamente, financeiramente e ideologicamente toda a sociedade, no intuito
de seguirem a sua cartilha.
Diante disso, se volta a dança das
cadeiras, citada no início do texto, observa-se a falta de compreensão
histórica e os interesses obscuros dos personagens que pularam do barco para irem à "Rede" para se
salvarem, sem se importarem com a luta de classes que existe na sociedade
atual. Isso alimenta e desenvolve a intolerância às parcelas historicamente
excluídas, hoje em ascensão, usando dos aparelhos ideológicos e lançando a
sociedade para um fosso sem fim, onde a elite conservadora primeiro tira sua
capacidade de reflexão, depois os teus direitos e por fim a tua
liberdade.
Por isso, é necessário o enfrentamento de
ideias, criando as condições para o fortalecimento político do país e a defesa
do estado democrático de direito. Luta que muitos deram seu sangue e seu suor
para hoje desfrutarmos dela. Sendo assim, cabe a todos nós, atores sociais e
setores da sociedade, não abandonarmos as trincheiras dessa luta e lutarmos para não perder a democracia nem nossas
conquistas de vista e retomar o caminho para o desenvolvimento do país.
