sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

COMO NÃO TER ORGULHO DE SER OLINDENSE?

Por Jelsimar Pimentel*
Gostaria de vir aqui para fazer uma provocação aos que falam mal da gestão da Prefeitura de Olinda, sobre os grandes investimentos que têm sido trazidos para Olinda. Grandes sim, pois desafio qualquer um a citar um prefeito que tenha entregado mais obras, ou que tenha trazido tantos projetos culturais, técnicos, educacionais, nas áreas de saúde ou comerciais numa cidade com arrecadação de cidade pequena, mas com problemas de cidade grande.

A princípio, gostaria de citar aqui a quantidade de ruas calçadas e saneadas pela gestão. Para citar apenas o ano de 2015, agora em janeiro já foram três novas ruas inauguradas em Jardim Brasil; uma rua inaugurada em Rio Doce; duas ruas e uma travessa inauguradas no Monte, e uma rua inaugurada em Vila Popular. Foi assinada a ordem de serviço da UPA de Rio Doce, onde as obras já começaram; e ontem (29), foi assinada uma ordem de serviço de Urbanização Integrada em Sapucaia e Aguazinha, com destaque para 80 ruas que serão pavimentadas, e veja que Janeiro nem terminou.

Além dessas, em Rio Doce ainda serão inauguradas mais 11 ruas. Em Jardim Brasil e Vila Popular serão 80 ao todo, e 28 já concluídas. Em Caixa d'Água já foram entregues 70. No Alto da Bela Vista, uma avenida está interligando o Bairro a Jardim Fragoso e à PE 15. Em Jardim Atlântico, já foram entregues 13. Em Bairro Novo e Casa Caiada várias foram recapeadas, e outras pavimentadas. Tem também obras em andamento no Alto do Sol Nascente, Bultrins, Bonsucesso, Caenga, etc.

Com isso, essa gestão já se tornou a que mais calçou ruas na história da cidade. Além da obra da orla que, por conta de processos a moradores que invadiram o terreno da praia (construindo até piscina rsrs), por onde passa a orla, mas já está sendo concluída. Um grande feito né não? E que ainda aumenta o próprio recorde: Enquanto em gestões de 16 anos atrás, em toda história da cidade várias ruas foram contabilizadas como calçadas apenas no papel, mas hoje tornam-se realidade.

Mas não fica só por aí não: há quem diga que Olinda não pode ser só calçada e asfalto, e eu concordo. Por isso, Olinda também tem se preocupado em cuidar das pessoas com investimentos sociais próprios ou trazendo projetos do governo federal e do governo estadual para cá, e é o caso do IFPE (antiga Escola Técnica Federal) que já está em funcionamento, tendo aula na cidade de Olinda. Além disso, temos os projetos de uma Escola Técnica Estadual na cidade. Ou seja, Olinda que não tinha nenhuma escola técnica pública, agora vai passar a ter logo duas. Avanço né?

Mas não para por ai. Olinda hoje, possui a mesma quantidade de CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) que a cidade vizinha e capital do estado. São 10 CRAS, mas que proporcionalmente, nos deixa na frente por termos uma população beeeem menor. É a gestão que vem se preocupando com os cidadãos, dando a devida assistência social aos mais vulneráveis e sem esquecer a UPA, em Rio Doce, que foram iniciadas suas obras. Ah! E já ia esquecendo do primeiro shopping da cidade, que trará diversos empregos e mais arrecadação para o município deixar cada vez mais o título de "cidade dormitório" de lado.

E ainda tem mais! Além de toda a preocupação com calçamento, saneamento, investimento em saúde, educação, assistência social e mais diversas coisas que falei aqui, além das diversas que deixei de fora, com as novas vias que estão sendo construídas na cidade, temos também o investimento em cultura e lazer. Olinda que é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, faz jus ao título com os diversos eventos culturais que acontecem na cidade, geridos pela Prefeitura ou apoiados pela gestão, como é o caso da Mostra Internacional de Música em Olinda (MIMO), FLIPORTO, entre outros que trazem inúmeros turistas para a cidade, além do nosso belo carnaval sem camarotes, com a lei sancionada pelo Prefeito Renildo que embeleza ainda mais nossa cidade. Tem também o estádio em Rio Doce, que vai deixar nossa cidade dentro dos grandes roteiros esportivos do país.

Bom, acho que isso é apenas um aperitivo do que um morador e apreciador da cidade vem percebendo de melhorias e investimentos na cidade. Me indigno quando vejo tanto discurso de ódio por uma gestão que tanto faz pela cidade. Sei que muitos desses são motivados por uma oposição, organizada por quem já foi gestão no passado e que, infelizmente, é irresponsável em Olinda, usando de calúnias para se promover. Além desses, muitos outros jovens pegam esse embalo, mas esquecem (ou não viveram) os anos de abandono da cidade quando aqueles estiveram na gestão, com atraso de salários, meses sem coleta de lixo, alem dos grandes rombos deixados na administração pública da cidade. Me preocupa muito esse ódio disseminado e desinformado nas redes sociais.

Portanto, desafio qualquer um a mostrar algo diferente do que venho dizendo; É fato que a cidade tem muitos problemas históricos, mas não será numa gestão que se resolverá todos, apesar do empenho que há nisso. Pois mesmo tendo um quarto do tamanho de Recife e arrecadando treze vezes menos, ainda conseguiu tudo isso. E já deixo um aviso de que, quem quiser debater ou quiser algum esclarecimento, estou aberto a isso, porém sem ódio e sem xingamentos, pois esses não passarão. Não venham com informações pela metade, ou me chamar de babão ou que me pagam pra isso, pois não trabalho na Prefeitura e tenho minha própria renda, mas como morador sei que não posso me calar.

O que posso dizer é que veja minha cidade, que tem o terceiro melhor IDH do estado, que é uma das que mais teve aumento de empregos no ano de 2014, que é também o terceiro Índice de Bem Estar Urbano – IBEU, que mede a qualidade de vida em Pernambuco e que é a cidade preferida pelos investidores, de acordo com a pesquisa da AMCHAM, e tenha orgulho de ser olindense.

*Jelsimar Pimentel “Mazinho” - Professor de História, estudante de Ciências Sociais, morador de Olinda e Boêmio

domingo, 25 de janeiro de 2015

A LUTA PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA

Por Jelsimar Pimentel
A história dos meios de comunicação aconteceu de forma peculiar no Brasil. Enquanto em outras regiões do mundo houve um fortalecimento do conteúdo social e educativo com fortalecimento público da comunicação, no nosso país aconteceu por meio de poucos grupos de empresas familiares que passaram a obter o poder econômico da comunicação e do jornal. Quando falamos em televisão e rádio é ainda pior, pois as concessões são públicas, ou seja, deveriam pertencer ao povo. A maioria delas foram concedidas em plena ditadura militar com a simples barganha política de anunciar as propagandas do governo. Porém deveriam ser concedidas pelo Estado com a finalidade de atender a população brasileira na sua informação e formação sociocultural, mas isso não ocorre.


O que acontece é que no Brasil os meios de comunicação de massa não foram regulamentados e por isso todos os veículos de massa do país são controlados por essas poucas famílias que obtêm grandes somas de dinheiro com um bem que deveria servir a sociedade, mas que eles ditam, de forma autoritária, o conteúdo da programação de acordo com seus interesses capitalistas, influenciando na opinião da população sem abrir espaço para as diversas correntes de opinião política, como também restringindo e não mostrando as diversas manifestações nacionais e regionais da nossa cultura e uma programação educativa. O que os meios de comunicação nos proporcionam hoje é uma alienação do pensamento critico do cidadão com a imposição passiva do viés político e cultural de interesse das camadas dominantes.

Por Jelsimar Pimentel
No entanto, essa é uma realidade que em muitas nações mundo a fora já foi solucionado. Diversos países já regulamentaram seus meios de comunicação na garantia de ampliar a liberdade de expressão, como na lei dos meios no Uruguai que foi a mais recente legislação aprovada sobre regulamentação da mídia na América Latina. No Brasil, com uma lei já caduca que completa 50 anos e não atende ao objetivo de ampliar a liberdade de expressão, faz-se necessário essa regulamentação para garantir mais diversidade e pluralidade nos meios de comunicação em massa, como televisão e rádio, tirando essa concentração das mãos de poucas famílias, quebrando a propriedade cruzada, que é a possibilidade de uma mesma empresa ter concessão de rádio e TV na mesma praça (estado, município ou região) e limitando a quantidade de concessões ao mesmo grupo.


E nessa luta é fundamental o papel de todos os segmentos da sociedade, principalmente nós da juventude, para que possamos alcançar essa regulamentação. Alguns artigos da constituição referentes a comunicação precisam ser regulamentados, mas nunca houve interesse nesse sentido. Por isso convidamos toda juventude e toda população para participar dessa luta para que todas as parcelas da nossa sociedade sejam representadas nos meios de comunicação e para que assinem a lei de iniciativa popular da mídia democrática e assim possamos pressionar a aprovação da lei.

Acesse a página da FNDC para conhecer a lei e baixar o abaixo-assinado da lei de iniciativa popular: www.paraexpressaraliberdade.org.br


Jelsimar Pimentel (Mazinho) – Diretor de Comunicação da UJS Pernambuco

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O discurso de ódio nas redes sociais ou o fascismo do século 21


Por Jelsimar Pimentel
Há certo tempo, o discurso de ódio no Brasil vem me incomodando de tal maneira que me senti impelido a escrever algo sobre o tema e contra ele, pois percebo as origens desse discurso ser antidemocrático e conservador. O discurso de ódio está sendo fortalecido no Brasil e tem ganhado legitimidade em uma parcela da sociedade. Mas, precisamente nessa década, ela tem tomado proporções maiores com o advento das redes sociais, não porque não existiam antes, mas por tornar-se mais visíveis, facilitando o crescimento e agrupamento desses veneradores do ódio.

Esse discurso tem que ser combatido no Brasil, pois diferente do que dizem em alguns meios, ele oprime as minorias e aumenta o preconceito, além de ser cheio de superficialidade e acrítico. Observamos isso claramente quando citam-se negros ou homossexuais chegando a descaracterizá-los como seres humanos. Na campanha da Presidenta Dilma quando despolitiza-se o debate em torno de propostas e ideias para desqualificá-la por ser mulher ou ser de esquerda ou quando rebaixa os nordestinos após o mapa da votação mostrar sua grande vitória na região, mas não leva-se em questão pontos como educação e diminuição da desigualdade que hoje democratiza mais o acesso e os investimentos na área.

Algo que percebemos também nas redes sociais é a criação de factóides na tentativa de disseminar o discurso de ódio. Isso foi perceptível quando foi criado a notícia, as vésperas da eleição presidencial, que o doleiro Youssef havia morrido na tentativa de desestabilizar a votação para a Presidenta Dilma. Ou quando, aqui em Pernambuco, há alguns dias atrás, na tentativa de atacar o Prefeito Geraldo Júlio, criam o factóide de que Fafá de Belém, contratada do carnaval da cidade esse ano, teria sido impedida de cantar a música “Vermelho”, considerada hino da esquerda no Brasil, desmentido pela mesma no seu Twitter. O mesmo observamos em Olinda, quando, numa tentativa de alguns moradores do sítio histórico da cidade de impedir o movimento no local, acionam o Ministério Público para o fechamento dos bares e com a ajuda da oposição Acorda Olinda, liderado pelo filho de Jacilda Urquisa, ex-prefeita da cidade, acusa a Prefeitura de entrar com tal ação, criando um movimentação de ódio nas redes sociais de forma acrítica e superficial.


Enfim, a preocupação com o discurso de ódio é legítimo no sentido de entender o que gerou no passado e quais consequências podemos ter num futuro breve. Esse discurso de ódio é a representação da intolerância na nossa sociedade, onde ofende e ataca as minorias de forma a não permitir as diferenças de crença, de cor, regional, sexual ou política. É a volta do fascismo que na década de 20, 30 e 40 pregaram o mesmo discurso de ódio sobre judeus, negros e gays e hoje encontra terreno nas redes sociais, O discurso de volta ao golpe militar, que cerceou nossas liberdades democráticas também ganhou força nas redes sociais. Isso se dá através de um manto do anonimato que as redes sociais proporcionam, se tornando uma espécie de representação do real, legitimado pela cultura do medo da grande mídia como arautos da moralidade e dos bons costumes. Mídia essa ainda concentrada em poucas famílias de camadas mais altas da sociedade, empresários e não representados na sociedade de forma plural.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A ilusão da monogamia como relação natural

Por Jelsimar Pimentel
Há muito tempo passo a questionar as nossas estruturas sociais e a forma como fincamos o padrão de normalidade da sociedade. Normal vem de norma, algo que está dentro da normatividade, dentro das regras. O normal hoje na nossa sociedade ocidental é constituir uma família monogâmica e ter filhos. Mas nem sempre foi assim. A história da humanidade passou por muitas adequações ao longo do tempo. Muitas delas impostas para satisfazer contextos econômicos dominantes tornando-se assim cultural, com a ajuda também da religião cristã. A monogamia foi imposta para que houvessem concentração de riquezas e para que não fossem pulverizadas na herança, passando sempre de forma concentrada para os filhos. Hoje foi naturalizada de tal forma, que a maioria da população ocidental não consegue conceber outra forma de relacionamento que não seja entre um homem e uma mulher constituindo família.

No entanto, essa forma não é naturalizada em todas as civilizações. A maioria delas, como mostram algumas pesquisas, concebem outras formas de relações não-monogâmicas e na sociedade ocidental existem relatos de pessoas que vivem relações assim e vem crescendo muito. A sociedade progride e as estruturas dominantes vão se desmoronando. Essas estruturas são eivadas, em nossa sociedade, de dominação patriarcal, que sempre condenou muito mais as mulheres como adúlteras, não atingindo totalmente os homens.

O que sustenta uma relação monogâmica nos dias de hoje são, além da questão histórica citada anteriormente, a insegurança e a possessividade, mesmo que isso reprima nossos instintos e desejos. Ter a preocupação de perder uma pessoa, apenas porque ela se relacionou com outras pessoas existe apenas pelo sentimento de posse que se cria com o outro, negando os próprios desejos e o do outro, criando muitas vezes uma relação bem propícia para a falsidade, a mentira e consequentemente a traição. Mas porquê uma pessoa não pode amar e sentir tesão por outras pessoas ou mesmo amar mais de uma pessoa? Não precisa haver prejuízo da relação. E quando falo isso, não me refiro a apenas um relacionamento solteiro de apenas transar (também totalmente legítima), mas de sentimento, amor e carinho e que precisa ser mútuo, nunca egoísta, tendo a preocupação com quem se relaciona.

Hoje, com uma certa experiência, onde já vivi relações monogâmicas e fui fiel, me considero não-monogâmico. Já amei apenas uma mulher e desejei outras e já amei mais que uma mulher e sempre com a cumplicidade, muito importante dentro de uma relação. Não condeno as relações monogâmicas e acho legítimo quem opta por isso, mas é preciso desmascarar todo essa repressão a relações não-monogâmicas, que aqui se compreende amor livre, relacionamentos abertos ou poliamor. Esse é apenas um singelo texto pra aguçar a curiosidade e daí buscar aprofundar o conhecimento sobre o tema. Amar uma pessoa é deixa-la em liberdade para poder amar mais. Como diz Raul, "não se pode privar alguém daquilo que se deseja. Sem determinar prazos e sem exclusivismos e podendo proporcionar a mesma felicidade do amor com liberdade". E, como diz um amigo meu, "nossa sociedade ainda vai evoluir para essa forma de relacionamento não-monogâmico, quebrando as estruturas arcaicas da nossa sociedade".