
Por Jelsimar Pimentel
Há certo tempo, o discurso de ódio no Brasil vem me incomodando de tal maneira que me senti impelido a escrever algo sobre o tema e contra ele, pois percebo as origens desse discurso ser antidemocrático e conservador. O discurso de ódio está sendo fortalecido no Brasil e tem ganhado legitimidade em uma parcela da sociedade. Mas, precisamente nessa década, ela tem tomado proporções maiores com o advento das redes sociais, não porque não existiam antes, mas por tornar-se mais visíveis, facilitando o crescimento e agrupamento desses veneradores do ódio.
Esse discurso tem que
ser combatido no Brasil, pois diferente do que dizem em alguns meios,
ele oprime as minorias e aumenta o preconceito, além de ser cheio de
superficialidade e acrítico. Observamos isso claramente quando
citam-se negros ou homossexuais chegando a descaracterizá-los como
seres humanos. Na campanha da Presidenta Dilma quando despolitiza-se
o debate em torno de propostas e ideias para desqualificá-la por ser
mulher ou ser de esquerda ou quando rebaixa os nordestinos após o
mapa da votação mostrar sua grande vitória na região, mas não
leva-se em questão pontos como educação e diminuição da
desigualdade que hoje democratiza mais o acesso e os investimentos na
área.
Algo que percebemos
também nas redes sociais é a criação de factóides na tentativa
de disseminar o discurso de ódio. Isso foi perceptível quando foi
criado a notícia, as vésperas da eleição presidencial, que o
doleiro Youssef havia morrido na tentativa de desestabilizar a
votação para a Presidenta Dilma. Ou quando, aqui em Pernambuco, há
alguns dias atrás, na tentativa de atacar o Prefeito Geraldo Júlio,
criam o factóide de que Fafá de Belém, contratada do carnaval da
cidade esse ano, teria sido impedida de cantar a música “Vermelho”,
considerada hino da esquerda no Brasil, desmentido pela mesma no seu
Twitter. O mesmo observamos em Olinda, quando, numa tentativa de
alguns moradores do sítio histórico da cidade de impedir o
movimento no local, acionam o Ministério Público para o fechamento
dos bares e com a ajuda da oposição Acorda Olinda, liderado pelo
filho de Jacilda Urquisa, ex-prefeita da cidade, acusa a Prefeitura
de entrar com tal ação, criando um movimentação de ódio nas
redes sociais de forma acrítica e superficial.
Enfim, a preocupação
com o discurso de ódio é legítimo no sentido de entender o que gerou no passado e quais consequências podemos ter num futuro breve.
Esse discurso de ódio é a representação da intolerância na nossa
sociedade, onde ofende e ataca as minorias de forma a não permitir
as diferenças de crença, de cor, regional, sexual ou política. É
a volta do fascismo que na década de 20, 30 e 40 pregaram o mesmo
discurso de ódio sobre judeus, negros e gays e hoje encontra terreno
nas redes sociais, O discurso de volta ao golpe militar, que cerceou nossas liberdades democráticas também ganhou força nas redes sociais. Isso se dá através de um manto do anonimato que
as redes sociais proporcionam, se tornando uma espécie de
representação do real, legitimado pela cultura do medo da
grande mídia como arautos da moralidade e dos bons costumes. Mídia
essa ainda concentrada em poucas famílias de camadas mais altas da
sociedade, empresários e não representados na sociedade de forma
plural.
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