domingo, 15 de março de 2015

O ATIVISMO DIGITAL NA LUTA CONTRA-HEGEMÔNICA E NA EMANCIPAÇÃO SOCIAL


Por Jelsimar Pimentel
Podemos observar a importância que tem tido a comunicação no Brasil e a influência que tem na formação do pensamento político e cultural da população. Desde o surgimento das radiodifusoras (e antes, com os jornais) no Brasil, a elite econômica tem focado na tentativa de controlar todos os meios de comunicação e conseguiu através de concessões e da falta de uma legislação que regule. Observamos hoje a grande manipulação da mídia nos assuntos referentes a opinião política e na falta de diversidade cultural, pois existe uma minoria rica que utiliza esses meios para propagar seus interesses. Por isso é tão importante fortalecer a luta pela regulamentação da comunicação no Brasil, principalmente da radiodifusão, assim como também pelo marco civil da internet.


Diante disso, é bastante importante a utilização de meios alternativos de comunicação para que outras opiniões que não sejam as expressas na grande mídia sejam colocadas, fortalecendo a pluralidade de opiniões e a luta por uma sociedade mais democrática, com a opinião da população e de diversos setores da sociedade. Nesse sentido é importantíssimo a luta pelo financiamento das mídias alternativas, defendida pela deputada federal Luciana Santos (PCdoB), que cumpre um papel social no sentido de quebrar a oligopólio econômico e midiático, questionando o neoliberalismo e a ideologia mercantilista da globalização. É importante ressaltar as mídias alternativas na luta social, no papel de formar politicamente a população em prol da luta cotidiana contra a opressão político-cultural que entra na nossa casa todos os dias diante da TV e rádio. Não há dúvidas que a luta é de classe, e os jornalistas de esquerda, movimentos sociais, estudantis e sindicais precisam usar os instrumentos viáveis na lutra contra-hegemônica da mídia.

Eduardo Galeano falou em uma entrevista sobre a importância que tem a internet no papel contra-hegemônico e na garantia da diversidade ideológica, política e cultural: “A Internet realmente abriu espaços a vozes que agora encontram possibilidades de difusão incríveis. Isso é uma boa notícia que a realidade deu contra todos os prognósticos, pois a internet nasceu como uma operação militar do Pentágono para planificar as suas operações. Foi uma coisa nascida da morte, do extermínio do outro, pois a guerra é isso. Depois virou um espaço que contém um pouco de tudo, que não é uma coisa só, mas que inclui muitas expressões, da afirmação da boa energia da vida, da energia multiplicadora do melhor da vida, a liberdade, a vontade de justiça”.


Uma possibilidade interessante que tem a internet, é que ela pode ser um meio de interação entre os indivíduos, onde todos podem atuar como produtores, emissores e receptores, tornando as fronteiras mais fluidas na comunicação, sem a estratificação que existe na mídia tradicional, que torna o expectador passivo e sem a contraposição de ideias. Por isso tem uma importância imensa na disputa ideológica, servindo como trincheira de combate em uma guerra ferrenha com os grandes ditadores da comunicação de massa.

A internet possibilita também uma readequação do que entendemos por tempo e espaço. Observamos que o compartilhamento das informações são feitas em tempo real, independente do local que esteja, transformando o mundo em uma vila, o que influencia também nas relações sociais e culturais, exigindo que haja mais dinâmica nas circulações de ideias e de notícias. Além da informação instantânea, observamos a possibilidade da transmissão descentralizada e a abrangência global da internet como incentivos a luta ideológica contra a mídia comercial.

A mídia alternativa combate a formação da sociedade consumista tão disseminada pela mídia tradicional e comercial através da propaganda e publicidade, construindo espaços de óticas diferenciadas sobre o assunto, estimulando a crítica e a cooperação entre jornalistas e ativistas digitais. Por isso torna-se tão fundamental que as mídias alternativas tomem posturas no sentido da contra-informação hegemônica, ou seja, que entendam o importante papel da formação e organização politica e social numa sociedade dividida em classes e influenciada por uma mídia tradicional forte e com interesses capitalistas, num processo de mudança social, assumindo visões transformadoras na relação com os leitores e a sociedade em geral. Nos métodos de gestão, nas formas de financiamento e, sobretudo, na interpretação dos fatos sociais, entrosando a população em importantes debates da atualidade do país, como exemplo, a regulamentação da mídia e a reforma política, trazendo o aprofundamento critico necessário à população e tendo a preocupação em atingir uma população ampla, tendo linguagem acessível para atrair um público maior, vislumbrando a emancipação social.


É importantíssimo verificar que a comunicação ativista tem que ser dividida em duas metas diferentes: uma interna, com o intuito de mobilização, e uma externa, que serve para ampliar espaços de divulgação e articulação de ações e análises. Só seguindo essas diretrizes é possível tornar as mídias alternativas, seja rádios, blogs e redes sociais, instrumentos contra a ditadura cultural, furando o bloqueio da mídia, imposta à sociedade atual que descarta a essência para dar lugar a aparência e a objetificação das pessoas, cultivando a intolerância e disseminando o ódio, criando um clima de pessimismo e catástrofe.


Segundo Altamiro Borges, do Centro de Mídia Barão de Itararé: “A mídia vem atuando assim há muito tempo, de Getúlio Vargas ao golpe, mas com muito mais poder que antes, já que é cada vez mais monopolizada. Assim, ela envenena diariamente a sociedade”. Vimos isso nas eleições 2014, quando a revista Veja influenciou diretamente, tornando-se panfleto eleitoral de Aécio e escancarando seu perfil de partido político. Diante disso, é fundamental a nossa mobilização para o mecanismo de convocatória em oposição a mídia de massa comercial atrelada ao grande capital e à popularização da luta pela democratização dos meios de comunicação, que desmantele essa lógica monopolista atual. É necessária uma reforma política através da coalizão que garanta o financiamento público de campanha para cortar na raiz a corrupção no país.

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