Por Jelsimar Pimentel
Podemos observar a importância que tem tido a comunicação no Brasil e a influência que tem na formação do pensamento político e cultural da população. Desde o surgimento das radiodifusoras (e antes, com os jornais) no Brasil, a elite econômica tem focado na tentativa de controlar todos os meios de comunicação e conseguiu através de concessões e da falta de uma legislação que regule. Observamos hoje a grande manipulação da mídia nos assuntos referentes a opinião política e na falta de diversidade cultural, pois existe uma minoria rica que utiliza esses meios para propagar seus interesses. Por isso é tão importante fortalecer a luta pela regulamentação da comunicação no Brasil, principalmente da radiodifusão, assim como também pelo marco civil da internet.
Diante disso, é bastante importante a
utilização de meios alternativos de comunicação para que outras
opiniões que não sejam as expressas na grande mídia sejam
colocadas, fortalecendo a pluralidade de opiniões e a luta por uma
sociedade mais democrática, com a opinião da população e de
diversos setores da sociedade. Nesse sentido é importantíssimo a
luta pelo financiamento das mídias alternativas, defendida pela
deputada federal Luciana Santos (PCdoB), que cumpre um papel social
no sentido de quebrar a oligopólio econômico e midiático,
questionando o neoliberalismo e a ideologia mercantilista da
globalização. É importante ressaltar as mídias alternativas na
luta social, no papel de formar politicamente a população em prol
da luta cotidiana contra a opressão político-cultural que entra na
nossa casa todos os dias diante da TV e rádio. Não há dúvidas que
a luta é de classe, e os jornalistas de esquerda, movimentos
sociais, estudantis e sindicais precisam usar os instrumentos viáveis
na lutra contra-hegemônica da mídia.
Eduardo Galeano falou em uma entrevista sobre a
importância que tem a internet no papel contra-hegemônico e na
garantia da diversidade ideológica, política e cultural: “A
Internet realmente abriu espaços a vozes que agora encontram
possibilidades de difusão incríveis. Isso é uma boa notícia que a
realidade deu contra todos os prognósticos, pois a internet nasceu
como uma operação militar do Pentágono para planificar as suas
operações. Foi uma coisa nascida da morte, do extermínio do outro,
pois a guerra é isso. Depois virou um espaço que contém um pouco
de tudo, que não é uma coisa só, mas que inclui muitas expressões,
da afirmação da boa energia da vida, da energia multiplicadora do
melhor da vida, a liberdade, a vontade de justiça”.
Uma possibilidade interessante que tem a
internet, é que ela pode ser um meio de interação entre os
indivíduos, onde todos podem atuar como produtores, emissores e
receptores, tornando as fronteiras mais fluidas na comunicação, sem
a estratificação que existe na mídia tradicional, que torna o
expectador passivo e sem a contraposição de ideias. Por isso tem
uma importância imensa na disputa ideológica, servindo como
trincheira de combate em uma guerra ferrenha com os grandes ditadores
da comunicação de massa.
A internet possibilita também uma readequação
do que entendemos por tempo e espaço. Observamos que o
compartilhamento das informações são feitas em tempo real,
independente do local que esteja, transformando o mundo em uma vila,
o que influencia também nas relações sociais e culturais, exigindo
que haja mais dinâmica nas circulações de ideias e de notícias.
Além da informação instantânea, observamos a possibilidade da
transmissão descentralizada e a abrangência global da internet como
incentivos a luta ideológica contra a mídia comercial.
A mídia alternativa combate a formação da
sociedade consumista tão disseminada pela mídia tradicional e
comercial através da propaganda e publicidade, construindo espaços
de óticas diferenciadas sobre o assunto, estimulando a crítica e a
cooperação entre jornalistas e ativistas digitais. Por isso
torna-se tão fundamental que as mídias alternativas tomem posturas
no sentido da contra-informação hegemônica, ou seja, que entendam
o importante papel da formação e organização politica e social
numa sociedade dividida em classes e influenciada por uma mídia
tradicional forte e com interesses capitalistas, num processo de
mudança social, assumindo visões transformadoras na relação com
os leitores e a sociedade em geral. Nos métodos de gestão, nas
formas de financiamento e, sobretudo, na interpretação dos fatos
sociais, entrosando a população em importantes debates da
atualidade do país, como exemplo, a regulamentação da mídia e a
reforma política, trazendo o aprofundamento critico necessário à
população e tendo a preocupação em atingir uma população ampla,
tendo linguagem acessível para atrair um público maior,
vislumbrando a emancipação social.
É importantíssimo verificar que a comunicação
ativista tem que ser dividida em duas metas diferentes: uma interna,
com o intuito de mobilização, e uma externa, que serve para ampliar
espaços de divulgação e articulação de ações e análises. Só
seguindo essas diretrizes é possível tornar as mídias
alternativas, seja rádios, blogs e redes sociais, instrumentos
contra a ditadura cultural, furando o bloqueio da mídia, imposta à
sociedade atual que descarta a essência para dar lugar a aparência
e a objetificação das pessoas, cultivando a intolerância e
disseminando o ódio, criando um clima de pessimismo e catástrofe.
Segundo Altamiro Borges, do Centro de Mídia
Barão de Itararé: “A mídia vem atuando assim há muito tempo, de
Getúlio Vargas ao golpe, mas com muito mais poder que antes, já que
é cada vez mais monopolizada. Assim, ela envenena diariamente a
sociedade”. Vimos isso nas eleições 2014, quando a revista Veja
influenciou diretamente, tornando-se panfleto eleitoral de Aécio e
escancarando seu perfil de partido político. Diante disso, é
fundamental a nossa mobilização para o mecanismo de convocatória
em oposição a mídia de massa comercial atrelada ao grande capital
e à popularização da luta pela democratização dos meios de
comunicação, que desmantele essa lógica monopolista atual. É
necessária uma reforma política através da coalizão que garanta o
financiamento público de campanha para cortar na raiz a corrupção
no país.



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