terça-feira, 31 de março de 2015

Enquanto isso a redução da maioridade penal...

Por Jelsimar Pimentel


Estava eu aqui na batalha da vida social, quando, de repente, descubro algo estarrecedor. Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara a redução da Maioridade Penal no Brasil, o que o torna constitucional. Um retrocesso imenso para o país que esta em pleno desenvolvimento e progresso social, mas ainda em bastante defasagem nessa questão. Precisamos reavaliar qual o papel do Estado e quem nos representam no Congresso Nacional. Será que esse sistema político atual representa de fato nossos anseios com a barganha do financiamento empresarial de campanha?


É triste ver para quem está cotidianamente na luta por mais direitos a classes marginalizadas no processo de socialização. Verificamos a falta de capacidade de inserir nossos jovens na lógica que está dada no nosso sistema econômico e social atual. 


Verificamos a todo momento classes sociais sendo excluídas de direitos fundamentais como o acesso a uma formação de qualidade e de oportunidades de emprego ou de ingressar numa universidade e isso é uma obrigação do Estado, pois é ele que nega esses direitos diariamente através da dívida social que é negligenciada com uma carga histórica de preconceito engendrado em nossas mentes e corações e validada pela indústria cultural, haja vista os grandes meios de comunicação, onde não nos vemos.


Precisamos ter a compreensão que é obrigação do nosso Estado garantir, educação, lazer, cultura e todas as oportunidades possíveis para que a juventude se desenvolva, mas uma grande parcela dessa é privada de tais direitos sofrendo a barbárie da violência e da repressão policial e social, não tendo opção de se desenvolver enquanto cidadão com direitos e deveres. 


Cabe ao Estado cumprir com aquilo que está na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente que são as garantias de um desenvolvimento psicológico, emocional e físico pleno. É inadmissível que aqueles que colocamos no Congresso não tenham compreensão desses direitos fundamentais, garantidos em lei, e que se eximam ao extremo dessa obrigação, defendendo o ataque a juventude, lhes culpando do crime de não terem a devida oportunidade ao desenvolvimento pleno. 


Repudio qualquer ação nesse sentido com a certeza que a população não aceitará essa decisão e que os movimentos sociais de juventude e estudantil se erguerão diante desse ataque para que não passem adiante dessa violência que se tenta cometer. 

#CadeiaNão

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