quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O pulo do barco e a pesca arrastão

Por Jelsimar Pimentel
Começa a dança das cadeiras para o próximo período que segue na nossa política. Nesse jogo do entre e sai, do vai e vem, do surgimento de um partido novo, percebemos interesses escusos na política brasileira. Um ar de oportunismo paira no ar ou será que pode haver mudanças tão bruscas na ideologia política de cada indivíduo, ou se torna individualizada? 



É importante desenvolver um olhar de fora do contexto para se ter a percepção do todo, como costuma fazer os historiadores ao analisarem um período fora do seu. Mas como analisar tais desenvolvimentos da política brasileira estando tão submerso e envolvido e sendo bombardeado a todo instante com tantas informações massificadas sobre a política atual?

Diante dessa estrutura, recai sobre o país uma crise internacional do sistema capitalista, afetando o país e sendo agravada por meios de comunicação causando instabilidade nacional e afetando a política brasileira. Ora, nada mais sugestivo para as forças conservadoras para enfraquecerem o país e tomarem novamente o poder. 

No entanto precisamos analisar a quadra política atual, onde é possível fazer algumas críticas, como a taxação do país hoje, onde deveriam ser taxadas às instituições financeiras e as grandes fortunas, numa política de juros progressiva que isente o trabalhador de pagar pela crise. Mas como a oposição pode desafiar um governo, que mesmo em crise, consegue ter os índices melhores que o que ela enfrentou nos seus últimos anos de administração nacional?

O caminhar e desenvolvimento da oposição e sua reestruturação, usando de aparelhos ideológicos de manutenção da ordem dominante, para disseminar suas ideias de forma ora sutil, ora explícita para formação de um pensamento uníssono contemplando assim seu fortalecimento, é claro. Obviamente que o principal desses aparelhos ideológicos são os grandes meios de comunicação de massa que chegam a milhões de brasileiros prometendo a verdade, nada mais que a verdade, em grandes conglomerados ligados ao capital especulativo.

Dessa forma, percebe-se o que a deputada e presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, quisera dizer quando fala "que ganhamos o governo, mas não o poder". Observa-se assim como ainda estão entranhadas nos poderes da República as forças conservadoras que compõem estruturas e posições em diversos setores do país, influenciando politicamente, financeiramente e ideologicamente toda a sociedade, no intuito de seguirem a sua cartilha.

Diante disso, se volta a dança das cadeiras, citada no início do texto, observa-se a falta de compreensão histórica e os interesses obscuros dos personagens que pularam do barco para irem à "Rede" para se salvarem, sem se importarem com a luta de classes que existe na sociedade atual. Isso alimenta e desenvolve a intolerância às parcelas historicamente excluídas, hoje em ascensão, usando dos aparelhos ideológicos e lançando a sociedade para um fosso sem fim, onde a elite conservadora primeiro tira sua capacidade de reflexão, depois os teus direitos e por fim a tua liberdade. 


Por isso, é necessário o enfrentamento de ideias, criando as condições para o fortalecimento político do país e a defesa do estado democrático de direito. Luta que muitos deram seu sangue e seu suor para hoje desfrutarmos dela. Sendo assim, cabe a todos nós, atores sociais e setores da sociedade, não abandonarmos as trincheiras dessa luta e lutarmos para não perder a democracia nem nossas conquistas de vista e retomar o caminho para o desenvolvimento do país.

Um comentário:

  1. Jelsimar está de parabéns, ao produzir um texto a altura da realidade atual. Precisamos sim, de produzir mais reflexões como esta, para o momento que atravessa o país.

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